sexta-feira, 1 de julho de 2011

# 44

  quando perdemos alguém, perguntamo-nos quem somos e o que aconteceria se deixássemos de viver e passássemos apenas a existir … ou pior, se fechássemos a cortina, apagássemos as luzes e déssemos a peça por terminada, e a única coisa que nos vai ocorrer são as pessoas que magoámos, as oportunidades que desperdiçámos, as portas que fechámos e os dias que nos esquecemos de viver. mas é depois, quando a respiração se torna mais calma e o ritmo cardíaco volta ao normal, que nos apercebemos que precisamos de ver os dois lados, precisamos de ver também o lado onde está uma janela aberta, o lado onde moram as pessoas que fizemos sorrir, o lado onde na nossa memória, foram gravados todos os outros dias, que soubemos aproveitar, o lado que não tem só aquilo que nos foi tirado, porque os ventos que nos levam algo que amamos, são os mesmos que nos trazem algo que aprendemos a amar.
"não tenhas medo do amanhã e não temas fechar os olhos hoje. amar não é errado, errado é viver sem amar. mas mais importante que tudo : o amor que apagaste e substituíste no teu coração, na tua memória permanece, e permanecerá para sempre, pois a memória é um conjunto de factos e vivências passadas, que nem sempre desaparecem..."
 ao passar do tempo, fui aprendendo que eu tinha a necessidade de matar a minha ingenuidade e que, lágrimas não iriam resolver os meus problemas. finalmente, eu acordei para a realidade, parei de tentar criar a minha fantasia, e parei de tentar fugir. nada é tão complexo quanto parece, e nem tudo tem uma razão. às vezes as coisas acontecem apenas por acontecer mas, outras acontecem porque o destino suplicou para que acontecesse.

fui para o jardim, encostei-me nas costas de um banco, como alguém que tenciona ficar por mais algum tempo e fechei os olhos. uma intensa rajada de vento, fez-me abrir curiosamente os olhos, que rapidamente, tentaram procurar o seu rasto passageiro. tinha o coração, com pouco mais que nada e a alma leve, que nem um balão, balançando ao som do vento. inspirei fundo, respirando docilmente o cheiro da chuva. peguei em mim e com um ar cobarde, abandonei apressadamente aquele banco, com receio que uma rajada passasse, e me deixe, aquilo que levou.
chega uma hora que cansa ser forte a todos os segundos. cansa fingir e agir como se nada estivesse a acontecer. cansa passar o dia e a noite a achar que tudo vai melhorar quando não vai. cansa engolir o choro e estar sempre estar com um sorriso no rosto. cansa viver dessa forma, mas nem por isso eu penso em desistir,  pois há momentos que nos levam para outro lugar, momentos de céu na terra, e talvez, por agora, isso é tudo que precisamos saber.

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