# 156

por vezes nem sempre optamos por seguir em frente, por um caminho certo e sem falhas com destino garantido à felicidade, complicamos o simples e arriscamos ir por a direita ou por a esquerda, e só os mais cobardes recuam. um piscar de olhos inconsciente, um estalar de dedos harmónico, uma fracção de segundos instantâneos, umas palavras mal utilizadas, uma promessa irreversível, um passo desajeitado, uma escolha mal feita e tudo à nossa volta muda: sentirmo-nos pequenos e distantes; perdemos alguém; perguntamo-nos quem somos e o que aconteceria se deixássemos de viver e passássemos apenas a existir, ou pior, se fechássemos a cortina, apagássemos as luzes e déssemos a peça por terminada; e a única coisa que nos vai ocorrer são as pessoas que magoámos, as oportunidades que desperdiçámos, as portas que fechámos e os dias que nos esquecemos de viver. mas é depois, quando a respiração se torna mais calma e o ritmo cardíaco volta ao normal, que nos apercebemos que precisamos de ver os dois lados, precisamos de ver também o lado onde está uma janela aberta, o lado onde moram as pessoas que fizemos sorrir, o lado onde na nossa memória, foram gravados todos os outros dias, que soubemos aproveitar, o lado que não tem só aquilo que nos foi tirado, porque os ventos que nos levam algo que amamos, são os mesmos que nos trazem algo que aprendemos a amar. *
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